quarta-feira, 11 de abril de 2018

Dois poeminhas singelos para um fim de tarde outonal


                        VIDA
                                           Fátima Friedriczewski
A vida acontece
a cada respiração
a cada meditação

indiferente ao tempo
inexorabilidade
desta dimensão

a cada instante
a vida se manifesta
conforme escolhida:

-- uma vida mundana
bela aparência
sem preocupação

-- uma vida sutil
um interno lindo
sempre em construção

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Em 10/04/2018




                           ESCOLHAS
                                              Fátima Friedriczewski
Alguns escolhem
a vida “fácil”
desta dimensão

Outros escolhem a luta
são os guerreiros
da transmutação

A energia que inspira
também traz provimento
força e determinação

O que faz o guerreiro
no altar
do seu silêncio ?

Descobrir-se guerreiro
é  apenas o começo
daquilo que não tem fim:

-- O caminho da evolução !
Sempre há um passo
a mais a ser dado

Sempre haverá o serviço
fazendo novo chamado
em mais alta dimensão !

E no final da jornada
quando tudo tornar-se Luz
tem-se com a Fonte integração !

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Em 11/04/2018

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Mais um poeminha

              AS VOGAIS

Tantas vezes suprimidas
Com valor que ninguém dá,
Por isso começo falando
Da alegria da letra A.

Nos porões da ignorância
Onde ...não se pode ver.
Para libertar-se do mundo:
Atributos da letra E.

Enganações tremendas
Sempre medram por aqui.
Conexão co’essência da Fonte:
Um dos aspectos do I.

Do coração do sagrado
Vem o mais puro valor:
Um centro abençoado
Com o som da letra O.

Há muito tempo esquecido
Desde Gondwana e Um,
Ímã da força do bem
No arco da letra U.

Há tantos mistérios ocultos
Tantos que ... não se sabe mais.
Um deles, de relevância,
É a supressão das vogais.


De Fátima Friedriczewski para o recital do primeiro aniversário da Academia Santiaguense de Letras.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

NOS TELHADOS

Na última sexta-feira, quando cheguei do trabalho, a Themmis Dalida, gatinha brasina e gordinha, muito carinhosa, tinha subido no telhado do galpão, e devido ao seu peso, não conseguia descer. Mais uma vez tive que subir no telhado para resgatar um gato, para resgatá-la.
E fiz este poeminha:

            NOS TELHADOS

Quando me vês caminhando

sobre os telhados,
sou mais que gata,
sou mãe de gatos
procurando filhos na escuridão !

Quando me vês caminhando
sobre os telhados,
sou mais que corpo transcendido,
sou alma, espírito, mônada,
cumprindo sua missão !

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

dois poeminhas bobos de uma sonhadora




poeminha descabido

para superar a dor
tive que me reinventar

e nesse invento
de mim mesma
só cabe eu


___________


 poeminha faminto

neste mundo
onde cada um
se individualiza
na sua telinha

ninguém vê
a mata cair –
só enxergam
os tornados

há que
quando se comer
os frutos –
plantar as sementes
___________

Sonhadora Fátima Friedriczewski

quinta-feira, 13 de março de 2014

A incrível história de amor do Sol e da Relva ou A origem do Girassol

A incrível história de amor do Sol e da Relva ou A origem do Girassol*


                  O Sol passeava pela abóbada celeste há éons e a Terra girava ao redor do Sol. E transcorriam as estações.
                Na primavera, quando o Sol surgia, a Relva estava orvalhada e logo se aquecia. Brincavam nela os insetos, a passarada, crianças corriam, era um bulício só. As sementes nasciam, as flores floriam e os frutos frutificavam.
                Quando o verão chegava, a Relva ficava tostada de Sol, as cigarras orquestravam sinfonias de alegria pelo calor, animais e humanos buscavam a sombra das árvores e o anoitecer era encantador de cores e sons.
                No outono, o Sol começava a ficar menos tempo sobre a Terra, e a Relva que o amava se entristecia, sentia frio nas longas madrugadas e se arrepiava ao pensar na lonjura do inverno.
                Quando o inverno chegava e a tudo cobria de geadas, a Relva sofria e ficava chamuscada do gelo. Quando o Sol aparecia por detrás da linha do horizonte, as placas alvas de gelo se transformavam em delicadas gotículas de orvalho.
                Era mais forte a saudade do Sol.
                O Criador, a Fonte, a tudo observava. Como unir a Relva da Terra com o Sol do Espaço Sideral ? E, num momento de delicada inspiração, o Criador solidificou algumas gotas de orvalho que se tornaram vigorosas sementes.
                Assim depois do cinzento inverno, a primavera surpreendeu a Terra com a germinação de novas plantas. Com a proximidade do verão, as lindas flores amarelas como o Sol desabrocharam e foram chamadas de Girassol. Para sempre então a Relva e o Sol estão juntos.

                Contam os entendidos por aí que é por isso que o Girassol gira acompanhando o movimento do Sol.

* Escrevi esta história para comemorar a beleza do pôr do sol de hoje, 13 de março de 2014 e dedico este post para minha amiga Lígia Rosso que tem o estranho e maravilhoso hábito de levar luz por onde passa, e, também, ama girassóis.

sábado, 28 de dezembro de 2013

TORÁH - uma leitura para sempre

Este ano, quando li o jornal da 15ª Feira do Livro de Santiago, um lançamento me chamou a atenção: TORÁH - Gênese, com tradução de Davy Bogomeletz.
Esperei o domingo com ansiedade, pois queria demais esse livro, ainda mais bilingue: hebraico e português, sempre oportunidade de se aprender cada vez mais.
E assim conheci o Sr. Davy Bogomeletz e comprei o livro TORÁH.

Mas o que é TORÁH ?

Podemos dizer, de maneira geral, que é  o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah),  e que constituem o texto central do judaísmo. Contém os relatos sobre a criação do mundo, da origem da humanidade, do pacto de Deus com Abraão e seus filhos, e a libertação dos filhos de Israel do Egito e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis que segundo o judaísmo tradicional, foram dadas a Moisés para que a entregasse e ensinasse ao povo de Israel.
Chamada também de Lei de Moisés (Torah Moshê), por vezes o termo "Toráh" é usado dentro do judaísmo rabínico para designar todo o conjunto da tradição judaica, incluindo a Toráh escrita, a Toráh oral  e os ensinamentos rabínicos.

No entanto, o TORÁH com tradução de Davy Bogomeletz é ainda mais, muito mais, pois é um livro que traz notas com interpretações e ensinamentos de Rabinos de diversos tempos. É um trabalho que foi elaborado pelo Rabino Marcos Edery da Argentina, sendo que a primeira edição em 1994, foi uma tradução do hebraico para o espanhol.
A presente edição que tenho a felicidade de ler, mantendo todo o estudo e notas do Rabino Marcos Edery, foi traduzida do hebraico para o português por Davy Bogomeletz.
Como o próprio Rabino Edery nos fala na introdução do livro, são quatro os caminhos mais importantes para a compreensão do texto da TORÁH:
a) o Peshát: interpretação literal e objetiva do texto;
b) o Rémez: interpretação alegórica;
c) o Derásh: interpretação quase livre e subjetiva;
d) o Sod: interpretação mística.
Sod é segredo. É isto o que me interessa, a interpretação mística. Não sei se vou conseguir, mas vivo para isto, para desvelar o segredo.
Quando eu tinha menos de trinta anos de idade, li um texto hassidim que dizia que devemos começar a estudar a Cabala a partir dos quarenta anos de idade.
Agora, quase sexagenária, penso até que os hassídicos tenham um pouco de razão. A maturidade nos permite um olhar mais amplo sobre a beleza dos textos sagrados, que o entendimento começa a fluir.

Esta TORÁH traduzida pelo Davy Bogomeletz é maravilhosa.
Recomendo a leitura.

domingo, 17 de novembro de 2013

Primeiras impressões do 4º Festival de Capoeira de Santiago

Estive nesta manhã de domingo assistindo a roda de Capoeira, por ocasião das atividades de encerramento do 4º Festival de Capoeira de Santiago no Ginasião de Santiago e fiquei encantada por tudo o que essa arte representa.
Vi Mestres plenos de sabedoria jogando a Capoeira com alunos iniciantes e com muito respeito por esses alunos, realmente ensinado e orientando.
Vi pessoas portadoras de necessidades especiais que são capoeiristas, estão integrados perfeitamente ao grupo e jogando a Capoeira com os Mestres e os Iniciantes.
Vi famílias inteiras assistindo a Capoeira, pais e mães filmando e fotografando seus filhos na roda de Capoeira.
Ouvi a fala dos Mestres com sábias orientações para a vida.
Vi o Aluno Formado Serginho e o Grupo Recôncavo trabalhando muito para que o evento saísse tão bonito.
Vi humanidade, humildade, solidariedade, disciplina, respeito e integração. E retornei encantada !